{"id":1591,"date":"2016-05-23T11:07:13","date_gmt":"2016-05-23T14:07:13","guid":{"rendered":"http:\/\/isan.med.br\/web\/?p=1591"},"modified":"2016-05-23T11:07:13","modified_gmt":"2016-05-23T14:07:13","slug":"sono-fonte-da-juventude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/isan.med.br\/web\/2016\/05\/23\/sono-fonte-da-juventude\/","title":{"rendered":"Sono: a fonte da juventude"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma das melhores coisas que voc\u00ea pode fazer pela sua sa\u00fade \u00e9 dormir bem. O sono evita doen\u00e7as e \u00e9 fundamental para que voc\u00ea tenha uma vida mais longa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O consenso m\u00e9dico atual diz que cada um sabe quanto sono precisa. Basta que o descanso seja de boa qualidade e suficiente. A medida \u00e9 n\u00e3o haver sonol\u00eancia no dia seguinte. Parece simples, certo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 o que acontece. A falta de sono afeta tanta gente que j\u00e1 vem sendo chamada de epidemia. S\u00f3 nos Estados Unidos, a priva\u00e7\u00e3o de descanso afeta o trabalho de 160 milh\u00f5es de pessoas, v\u00edtimas da press\u00e3o cultural pela redu\u00e7\u00e3o do tempo que passam na cama. Nos \u00faltimos 100 anos, o homem moderno perdeu, em m\u00e9dia, 90 minutos de sono por noite, roubados pela difus\u00e3o da luz el\u00e9trica, pela industrializa\u00e7\u00e3o, pelas longas jornadas de trabalho. Em 1910, dormia-se nove horas em m\u00e9dia. Hoje, s\u00e3o 7,5 horas. Pode-se argumentar que, de l\u00e1 para c\u00e1, a expectativa de vida dobrou. No Brasil, de 33,7 anos, em 1900, para 68 anos, em 1999. A verdade \u00e9 que a evolu\u00e7\u00e3o da expectativa de vida envolve outras vari\u00e1veis, como a cura de doen\u00e7as e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isolado, por\u00e9m, o sono \u00e9 determinante para a longevidade, como comprova uma pesquisa publicada no ano passado por m\u00e9dicos da Universidade de Nagoya, Jap\u00e3o. Eles estudaram por 12 anos um grupo de 5 000 habitantes da cidade de Gifu. A pesquisa analisou apenas os h\u00e1bitos de sono do grupo e revelou que o risco de morte para quem dorme menos de sete horas di\u00e1rias \u00e9 quase duas vezes maior que o das pessoas cujo descanso varia entre sete e dez horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O sono \u00e9 o mais importante indicador de quanto tempo uma pessoa viver\u00e1. Mais importante at\u00e9 que seus h\u00e1bitos de risco, como tabagismo e sedentarismo, ou alguns n\u00edveis metab\u00f3licos vitais como press\u00e3o arterial e n\u00edvel de colesterol no sangue&#8221;, diz William Dement, fundador do primeiro centro de estudos do sono, na Universidade de Stanford, Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O sono desempenha uma fun\u00e7\u00e3o fundamental para o funcionamento do corpo&#8221;, afirma o neurologista Rubens Reim\u00e3o, do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo. &#8220;S\u00f3 que ningu\u00e9m sabe que fun\u00e7\u00e3o \u00e9 essa.&#8221; Uma das hip\u00f3teses mais aceitas \u00e9 que a raz\u00e3o de dormirmos \u00e9 que poupamos energia durante o sono. Para v\u00e1rios cientistas, no entanto, dormir serve para o organismo refazer os estoques de prote\u00ednas e enzimas gastos durante o dia. H\u00e1 ainda quem sustente que o corpo metaboliza alguma subst\u00e2ncia &#8211; que ainda n\u00e3o se sabe qual \u00e9 &#8211; acumulada no per\u00edodo de vig\u00edlia. Ou, simplesmente, que o sentido do sono \u00e9 meramente ficar quieto para evitar chamar a aten\u00e7\u00e3o dos predadores. Ou seja, dormir seria apenas uma estrat\u00e9gia do tipo &#8220;fingir-se de morto&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mecanismo que leva uma pessoa a dormir tamb\u00e9m permanece um mist\u00e9rio. O que faz com que voc\u00ea perca a consci\u00eancia em um certo momento e mergulhe de cabe\u00e7a no mundo de Morfeu? Uma enzima? Uma pane el\u00e9trica no c\u00e9rebro? Ningu\u00e9m sabe. Ali\u00e1s, o tema \u00e9 t\u00e3o pouco conhecido que subst\u00e2ncias importantes envolvidas no ato de dormir foram descobertas h\u00e1 apenas tr\u00eas anos.O que se sabe \u00e9 que o sono est\u00e1 relacionado a rel\u00f3gios biol\u00f3gicos com ciclos de 24 horas. Um desses gatilhos envolve a melatonina, horm\u00f4nio indutor do sono produzido no c\u00e9rebro principalmente \u00e0 noite. Para alguns cientistas, \u00e9 a melatonina que &#8220;diz&#8221; ao corpo quando \u00e9 hora de dormir, o que dispara uma mudan\u00e7a no organismo. A temperatura corporal cai 1\u00b0C ou 2\u00b0C, o fluxo sang\u00fc\u00edneo cerebral diminui e o metabolismo desacelera seu ritmo em cerca de 10%. Os m\u00fasculos perdem aos poucos a tonicidade at\u00e9 ficarem fl\u00e1cidos. E o c\u00e9rebro, longe de ficar &#8220;desligado&#8221;, funciona a pleno vapor, mas de forma diferente, com ondas el\u00e9tricas mais lentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas o que torna o sono imprescind\u00edvel \u00e9 que alguns processos vitais, como a produ\u00e7\u00e3o de determinados horm\u00f4nios essenciais, s\u00f3 ocorrem quando estamos adormecidos&#8221;, diz o bi\u00f3logo M\u00e1rio Pedrazzoli, pesquisador de Gen\u00e9tica Molecular do Sono no Instituto do Sono, em S\u00e3o Paulo, e que trabalhou por dois anos no laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica do Sono da Universidade de Stanford. Reduzir o tempo dedicado a esses processos \u00e9 como n\u00e3o carregar direito a bateria do celular. O tempo de uso do aparelho &#8211; no caso, seu corpo &#8211; diminui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um dos efeitos da redu\u00e7\u00e3o do tempo de sono \u00e9 o envelhecimento precoce&#8221;, diz a biom\u00e9dica Deborah Suchecki, tamb\u00e9m do Instituto do Sono, um dos maiores centros de estudos do tema no mundo, pertencente \u00e0 Universidade Federal de S\u00e3o Paulo. O sono, por exemplo, facilita o metabolismo dos radicais livres &#8211; mol\u00e9culas de oxig\u00eanio super-reativas resultantes da produ\u00e7\u00e3o de energia nas c\u00e9lulas. Circulando pelo corpo, tais mol\u00e9culas provocam desde envelhecimento celular at\u00e9 c\u00e2ncer. Pois bem. Privadas de sono, cobaias tiveram uma redu\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de glutationa, enzima que regula o metabolismo dos radicais livres. Menos enzima significa mais radicais livres e, portanto, envelhecimento e morte antecipados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em humanos, a priva\u00e7\u00e3o de sono em jovens \u00e9 o suficiente para faz\u00ea-los parecer velhinhos. \u00c9 o que diz um estudo divulgado no ano passado por Eve van Cauter, m\u00e9dica da Universidade de Chicago. Onze rapazes saud\u00e1veis, com idades de 18 a 27 anos, foram proibidos de dormir mais de quatro horas por noite durante seis dias. Ao final do teste, seus metabolismos eram compar\u00e1veis aos de pessoas com mais de 60 anos. O n\u00edvel de insulina no sangue caiu para n\u00edveis de portadores de diabetes e a concentra\u00e7\u00e3o de cortisol, horm\u00f4nio secretado em situa\u00e7\u00f5es de estresse, manteve-se em n\u00edveis elevados, como acontece em idosos. Os pesquisadores v\u00eaem no resultado um car\u00e1ter socioecon\u00f4mico. &#8220;Pessoas de menor poder aquisitivo n\u00e3o t\u00eam oportunidade de dormir o suficiente&#8221;, diz o estudo. &#8220;Dormir \u00e9 um privil\u00e9gio que se conquista com muito esfor\u00e7o. Quando jovem, eu trabalhava 14 horas por dia e dormia pouco. Hoje, durmo quanto quero&#8221;, diz o empres\u00e1rio Olacyr de Moraes, que perdeu boa parte de seu imp\u00e9rio, mas, como se v\u00ea, manteve o privil\u00e9gio de dormir bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguir acordado noite adentro tamb\u00e9m favorece o surgimento de infec\u00e7\u00f5es. Em laborat\u00f3rio, cientistas privaram ratos de sono por tempo indeterminado. Resultado: morte por infec\u00e7\u00e3o generalizada, sugerindo que a falta de sono debilita o sistema imunol\u00f3gico. Tal hip\u00f3tese \u00e9 refor\u00e7ada por outros estudos sobre o sono e as defesas do corpo, como a a\u00e7\u00e3o das interleucinas, subst\u00e2ncias fundamentais na resposta imunol\u00f3gica. Em altas concentra\u00e7\u00f5es, as interleucinas induzem o sono, o que explica por que doentes dormem mais. O sono, portanto, n\u00e3o s\u00f3 previne doen\u00e7as como tamb\u00e9m auxilia a cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto interessante \u00e9 que, durante o sono, cai a produ\u00e7\u00e3o de noradrenalina, um neurotransmissor acionado em situa\u00e7\u00f5es de estresse. Na etapa do sono chamada REM (Rapid Eyes Movement, em ingl\u00eas movimento r\u00e1pido dos olhos), na qual ocorrem os sonhos , a produ\u00e7\u00e3o da noradrenalina \u00e9 cortada. Com menos horas de sono, o tempo de REM diminui e o corpo passa mais tempo sob efeito do neurotransmissor do estresse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, h\u00e1 o risco de acidentes. Uma noite em claro causa uma embriaguez leve, algo como beber uma cerveja. Mas n\u00e3o \u00e9 preciso virar a noite para comprometer a aten\u00e7\u00e3o: apenas 90 minutos a menos de cama reduzem 32% a vigil\u00e2ncia, diz estudo realizado na Universidade Estadual Wright, em Ohio, Estados Unidos. Ficar sem dormir atrapalha a conex\u00e3o entre neur\u00f4nios, lembra a pesquisa. No Reino Unido, mais de 20% dos acidentes de tr\u00e2nsito s\u00e3o causados por motoristas que dormem ao volante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Super interessante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das melhores coisas que voc\u00ea pode fazer pela sua sa\u00fade \u00e9 dormir bem. O sono evita doen\u00e7as e \u00e9 fundamental para que voc\u00ea tenha uma vida mais longa O consenso m\u00e9dico atual diz que cada um sabe quanto sono precisa. Basta que o descanso seja de boa qualidade e suficiente. 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