{"id":1604,"date":"2016-05-25T08:19:41","date_gmt":"2016-05-25T11:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/isan.med.br\/web\/?p=1604"},"modified":"2016-05-25T08:19:41","modified_gmt":"2016-05-25T11:19:41","slug":"super-hormonio-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/isan.med.br\/web\/2016\/05\/25\/super-hormonio-2\/","title":{"rendered":"O super horm\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Recentes estudos provam que a melatonina faz muito mais do que ajudar a dormir. Entre outros benef\u00edcios, ela auxilia no emagrecimento, combate a diabetes, controla a enxaqueca e protege contra os danos do mal de Alzheimer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma subst\u00e2ncia fabricada naturalmente pelo organismo est\u00e1 despontando das pesquisas cient\u00edficas como uma esp\u00e9cie de super-rem\u00e9dio. De acordo com estudos realizados em todo o mundo, a melatonina, horm\u00f4nio respons\u00e1vel pela indu\u00e7\u00e3o ao sono, \u00e9 eficaz contra uma ampla gama de enfermidades. S\u00f3 para se ter uma ideia, ela ajuda a emagrecer, protege contra os danos causados pelo acidente vascular cerebral, auxilia no controle da hipertens\u00e3o e da diabetes e reduz as crises de enxaqueca. Um dos \u00faltimos benef\u00edcios descobertos foi o de diminuir a queda de cabelo provocada por causas gen\u00e9ticas, a alop\u00e9cia androgen\u00e9tica, conhecida como calv\u00edcie masculina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda n\u00e3o se sabe ao certo quais s\u00e3o os mecanismos que levam a esse espectro t\u00e3o grande de atua\u00e7\u00e3o. O que se descobriu recentemente e que ajuda a entender parte desse fen\u00f4meno foi que existem receptores sens\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio em todo o organismo. Produzida pela gl\u00e2ndula pineal \u2013 localizada no c\u00e9rebro \u2013 na aus\u00eancia da luz, at\u00e9 pouco tempo acreditava-se que a subst\u00e2ncia agisse basicamente sobre os centros cerebrais envolvidos no controle do rel\u00f3gio biol\u00f3gico, estimulando o sono. Por essa raz\u00e3o, suas indica\u00e7\u00f5es mais conhecidas eram contra a ins\u00f4nia e outros dist\u00farbios associados ao sono, como o jet lag.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta de suas outras fun\u00e7\u00f5es foi gradativa. Hoje, uma das \u00e1reas nas quais \u00e9 poss\u00edvel encontrar conhecimento mais s\u00f3lido a esse respeito \u00e9 a do c\u00e2ncer. A rela\u00e7\u00e3o entre a melatonina e a doen\u00e7a come\u00e7ou a ser mais investigada quando surgiram indica\u00e7\u00f5es de uma associa\u00e7\u00e3o entre o risco aumentado para a enfermidade e o trabalho noturno. A \u00faltima delas foi divulgada h\u00e1 poucas semanas na edi\u00e7\u00e3o online do \u201cBritish Medical Journal\u201d, uma das mais importantes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do mundo. Realizado no Queen\u2019s University, no Canad\u00e1, um levantamento mostrou que mulheres que trabalharam em turnos noturnos por mais de 30 anos apresentaram duas vezes mais chances de desenvolver tumor de mama. Outra, divulgada no \u201cAmerican Journal of Epidemiology\u201d, indicou a associa\u00e7\u00e3o entre homens trabalhadores noturnos a risco elevado para c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, pulm\u00e3o, bexiga, reto, p\u00e2ncreas e linfoma n\u00e3o Hodgkin. Os resultados levantaram a hip\u00f3tese de que a liga\u00e7\u00e3o entre as duas coisas \u2013 trabalho noturno e c\u00e2ncer \u2013 fosse a baixa produ\u00e7\u00e3o de melatonina. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, mesmo \u00e0 noite, pode induzir a um desequil\u00edbrio na regula\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que propicia o desenvolvimento de tumores\u201d, disse \u00e0 ISTO\u00c9 a cientista Marie-\u00c9lise Parent, que comandou o estudo com os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros experimentos avan\u00e7aram na elucida\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o. Apontaram que de fato o horm\u00f4nio impede o crescimento das c\u00e9lulas tumorais, e por caminhos diversos. \u201cEle protege o material gen\u00e9tico das c\u00e9lulas\u201d, afirmou \u00e0 ISTO\u00c9 Antonio Soriano, da Universidade de Granada, na Espanha, autor de uma revis\u00e3o recente sobre o tema. Entre outras a\u00e7\u00f5es, a melatonina impede que as c\u00e9lulas sofram com o estresse oxidativo \u2013 processo que danifica o DNA \u2013 e ajuda a interromper a forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos destinados a alimentar o tumor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mecanismos como esses contribuem para explicar, por exemplo, o resultado obtido pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP) em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos do composto sobre o c\u00e2ncer de mama. Em animais, a subst\u00e2ncia reduziu pela metade a forma mais comum da doen\u00e7a. Al\u00e9m disso, o horm\u00f4nio atenua efeitos colaterais da quimioterapia. Na Universidade de Granada, os cientistas criaram um gel \u00e0 base de melatonina para proteger as mucosas do aparelho gastrointestinal da inflama\u00e7\u00e3o decorrente do uso de quimioter\u00e1picos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua a\u00e7\u00e3o sobre doen\u00e7as neurol\u00f3gicas e psiqui\u00e1tricas tamb\u00e9m parece expressiva. O neurologista Mario Peres, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, concluiu um trabalho no qual ficou demonstrada sua efic\u00e1cia contra a enxaqueca. O m\u00e9dico comparou por dois anos a efici\u00eancia e a tolerabilidade da suplementa\u00e7\u00e3o de melatonina ao uso da amitriptilina, antidepressivo receitado para preven\u00e7\u00e3o das crises, e ao placebo. Participaram 196 pessoas, com dois a oito epis\u00f3dios de crises por m\u00eas. O m\u00e9dico observou redu\u00e7\u00e3o de 2,7 pontos no uso de analg\u00e9sicos e na frequ\u00eancia e na intensidade das crises entre os que usaram melatonina; de 2,1 entre os que tomaram amitriptilina; e de 1,1 nos que usaram placebo. \u201cE ela n\u00e3o causou sonol\u00eancia diurna, ganho de peso, boca seca e outros efeitos observados com o antidepressivo\u201d, explica Peres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos EUA vieram informa\u00e7\u00f5es sobre efeitos de prote\u00e7\u00e3o aos neur\u00f4nios, algo importante, por exemplo, para impedir mais danos ap\u00f3s acidentes vasculares cerebrais. Uma pesquisa da Universidade do Sul da Fl\u00f3rida revelou de que maneira a subst\u00e2ncia ajuda nessa tarefa. Uma de suas a\u00e7\u00f5es \u00e9 estimular que c\u00e9lulas-tronco se especializem em neur\u00f4nios, auxiliando, indiretamente, a repovoar \u00e1reas nas quais houve morte neuronal. \u201cA melatonina protege contra danos cerebrais e d\u00e9ficits de comportamento resultantes do acidente vascular cerebral. Por esses motivos, vislumbramos seu uso cl\u00ednico contra o problema\u201d, disse \u00e0 ISTO\u00c9 Cesario Borlongan, coordenador do trabalho. Benef\u00edcios semelhantes foram observados contra o mal de Alzheimer. Pesquisa da Universidade de Barcelona, feita em cobaias, mostrou que uma dose di\u00e1ria do horm\u00f4nio, combinada a exerc\u00edcio f\u00edsico, retardou a progress\u00e3o da enfermidade. \u201cOs resultados foram extraordin\u00e1rios. O horm\u00f4nio aumenta a capacidade de o neur\u00f4nio se defender de danos\u201d, disse \u00e0 ISTO\u00c9 o fisiologista Dario Acu\u00f1a Castroviejo, l\u00edder do estudo. \u201cComo sua produ\u00e7\u00e3o natural costuma cair depois dos 40 anos, recomendo a suplementa\u00e7\u00e3o a partir dessa idade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNa It\u00e1lia, h\u00e1 pesquisas em curso a respeito do papel do horm\u00f4nio sobre a depress\u00e3o. Sabe-se que, na presen\u00e7a da doen\u00e7a, o ritmo circadiano, mediado pela subst\u00e2ncia, encontra-se alterado. Um novo tipo de antidepressivo \u2013 a agomelatina \u2013 entrou no mercado com o objetivo de atuar sobre a melatonina e ajudar a regular o rel\u00f3gio biol\u00f3gico. No Instituto Nacional de Sa\u00fade italiano, cientistas buscam entender como o rem\u00e9dio atua. \u201cH\u00e1 intera\u00e7\u00f5es que o tornam eficiente. E acredito que os suplementos de melatonina devem ser usados com os antidepressivos, para melhorar a qualidade do sono dos pacientes\u201d, ponderou \u00e0 ISTO\u00c9 Domenico De Berardis, coordenador do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por se tratar de um horm\u00f4nio envolvido em opera\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do organismo, a melatonina tamb\u00e9m tem a\u00e7\u00e3o sobre o metabolismo \u2013 propriedade que a torna eficaz para a perda de peso, segundo v\u00e1rias pesquisas. Uma delas foi feita na Universidade de Granada, com animais, e revelou perdas consider\u00e1veis entre as cobaias submetidas \u00e0 suplementa\u00e7\u00e3o. \u201cO resultado d\u00e1 suporte \u00e0 proposta da administra\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio para tratar o excesso de peso em humanos\u201d, escreveram os pesquisadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus colegas italianos identificaram mecanismos pelos quais ocorre o emagrecimento. Segundo experimento da Universit\u00e0 Politecnica delle Marche, entre outros efeitos, o horm\u00f4nio reduz a ingest\u00e3o de comida porque estimula a atividade de mol\u00e9culas envolvidas na supress\u00e3o do apetite. Al\u00e9m disso, outro trabalho, feito tamb\u00e9m na It\u00e1lia, demonstrou que a melatonina auxilia no controle da compuls\u00e3o por comer \u00e0 noite. Experi\u00eancia feita com um paciente tratado com a medica\u00e7\u00e3o agomelatina terminou com uma perda de 5,5 quilos ap\u00f3s tr\u00eas meses de uso. Os desdobramentos desse tipo de estudo ajudar\u00e3o a entender, por exemplo, por que os obesos t\u00eam menos melatonina do que as pessoas com peso normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o endocrinologista Bruno Halpern, coordenador da Liga de Diabetes do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), est\u00e1 concluindo um projeto de pesquisa para investigar como se d\u00e1 a a\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio sobre a gordura marrom, chamada de gordura que emagrece. Ela se deposita na regi\u00e3o do pesco\u00e7o, abaixo da clav\u00edcula e ao longo da espinha e tem como fun\u00e7\u00e3o gerar calor, o que \u00e9 feito a partir da queima de calorias armazenadas \u2013 \u00e9 por essa raz\u00e3o que leva \u00e0 perda de peso. \u201cO estudo ser\u00e1 feito com pessoas que produzem pouca melatonina. A ideia \u00e9 comprovar a menor ativa\u00e7\u00e3o do tecido marrom nessas condi\u00e7\u00f5es\u201d, diz o m\u00e9dico. Entre os indiv\u00edduos com produ\u00e7\u00e3o reduzida da subst\u00e2ncia est\u00e3o aqueles expostos a mais luz \u00e0 noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP, os estudos pretendem elucidar como a melatonina influencia o metabolismo energ\u00e9tico e repercute na manifesta\u00e7\u00e3o da diabetes. \u201cEla potencializa a a\u00e7\u00e3o da insulina\u201d, diz o pesquisador Jos\u00e9 Cipolla. A insulina \u00e9 o horm\u00f4nio que possibilita a entrada, nas c\u00e9lulas, da glicose circulante na corrente sangu\u00ednea. Quando sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa ou sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 prejudicada, acumula-se a\u00e7\u00facar no sangue, caracterizando a diabetes. \u201cA redu\u00e7\u00e3o da melatonina intensifica o quadro diab\u00e9tico\u201d, completa o cientista brasileiro. Estudo da Universidade de Harvard (EUA), confirma a rela\u00e7\u00e3o. Foram selecionadas 370 mulheres com diabetes tipo 2 e outras 370 saud\u00e1veis. Nas portadoras da enfermidade, os n\u00edveis do horm\u00f4nio eram significativamente menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Motivados por evid\u00eancias como essas, pesquisadores de cinco laborat\u00f3rios internacionais criaram a rede MELABETES. Uma das metas \u00e9 aprofundar as investiga\u00e7\u00f5es, principalmente sobre o que leva alguns pacientes diab\u00e9ticos a apresentarem menor concentra\u00e7\u00e3o de melatonina. \u201cPodemos ajudar essas pessoas dando a elas suplementos do horm\u00f4nio\u201d, explicou \u00e0 ISTO\u00c9 Ralf Jockers, da Universit\u00e9 Paris Descartes, na Fran\u00e7a, organizador da iniciativa. \u201cMas isso deve ser feito em conjunto com o m\u00e9dico.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No laborat\u00f3rio comandado pela pesquisadora Regina Markus, na USP, descreveu-se que a melatonina pode ser um dos motivos dos benef\u00edcios da amamenta\u00e7\u00e3o. \u201cEncontrei uma maneira de medir sua concentra\u00e7\u00e3o no leite materno. Descobrimos que uma das principais raz\u00f5es da import\u00e2ncia do aleitamento materno \u00e9 que, por meio dele, a melatonina passa de m\u00e3e para filho\u201d, diz Regina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o horm\u00f4nio n\u00e3o possui registro de comercializa\u00e7\u00e3o na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria. Mas n\u00e3o \u00e9 proibido, o paciente pode import\u00e1-lo. No entanto, os cientistas defendem sua maior disponibilidade por aqui. \u201cTemos todas as evid\u00eancias para que ela seja utilizada e vendida no Pa\u00eds\u201d, diz Regina Markus. \u201cEla deveria ser comercializada ao menos como rem\u00e9dio\u201d, diz Mario Peres. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que seja suplementada no idoso, j\u00e1 que sua produ\u00e7\u00e3o diminui com a idade\u201d, diz Jos\u00e9 Cipolla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, n\u00e3o \u00e9 o que pensa o Conselho Federal de Medicina. A entidade faz uma restri\u00e7\u00e3o ao seu uso como recurso antienvelhecimento. Publicou uma resolu\u00e7\u00e3o na qual determina que \u201cs\u00e3o vedados no exerc\u00edcio da medicina\u201d alguns recursos antienvelhecimento usados \u201ccom a finalidade de triagem, diagn\u00f3stico ou acompanhamento de doen\u00e7as relacionadas ao envelhecimento\u201d. Entre eles est\u00e1 a melatonina. O m\u00e9dico que desobedecer a norma pode ser advertido ou at\u00e9 perder o registro profissional. \u201cN\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica do efeito antienvelhecimento da melatonina. Os estudos s\u00e3o experimentais\u201d, diz Rubens Fran\u00e7a, membro do CFM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de m\u00e9dicos atualizados, que acompanham de perto os avan\u00e7os sobre o tema, isso n\u00e3o \u00e9 verdade. \u201c\u00c9 o momento de se repensar o potencial terap\u00eautico da melatonina. Ele \u00e9 muito grande. \u00c9 hora de reabilit\u00e1-la no arsenal de tratamento\u201d, afirma o psiquiatra e psicofarmacologista Sergio Klepacz, de S\u00e3o Paulo, autor do livro Equil\u00edbrio Hormonal e Qualidade de Vida. Na Europa e nos EUA, esse poder j\u00e1 foi reconhecido h\u00e1 algum tempo. No continente europeu, o horm\u00f4nio \u00e9 vendido como rem\u00e9dio e, nos Estados Unidos, como suplemento alimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Isto \u00e9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentes estudos provam que a melatonina faz muito mais do que ajudar a dormir. Entre outros benef\u00edcios, ela auxilia no emagrecimento, combate a diabetes, controla a enxaqueca e protege contra os danos do mal de Alzheimer. Uma subst\u00e2ncia fabricada naturalmente pelo organismo est\u00e1 despontando das pesquisas cient\u00edficas como uma esp\u00e9cie de super-rem\u00e9dio. 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